"Vacinação é cuidado em todas as fases da vida."
"Vacinação é cuidado em todas as fases da vida."
“Da infância ao envelhecimento saudável, proteger-se contra doenças imunopreveníveis salva vidas e reduz riscos para toda a sociedade.”
A Semana de Imunização é uma iniciativa do Instituto Lado a Lado Pela Vida, realizada de 8 a 12 junho, com o objetivo de mobilizar a população para a atualização da caderneta vacinal em todas as fases da vida da infância à terceira idade reforçando que vacinar é um ato de autocuidado e de responsabilidade coletiva.
O Brasil atingiu seu pior índice histórico de cobertura vacinal nos últimos anos. Segundo o Ministério da Saúde, vacinas como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a poliomielite não atingem a meta de 95% de cobertura desde 2015, chegando a coberturas abaixo de 70% em algumas regiões. Esse cenário já resultou no retorno de surtos de sarampo, doença que o país havia eliminado em 2016. A baixa cobertura fragiliza a imunidade coletiva (o chamado “efeito rebanho”), expondo especialmente os grupos de risco, como crianças menores de 1 ano, idosos, gestantes e pacientes imunossuprimidos. Outro exemplo é a vacinação contra a Influenza, popularmente conhecida como gripe, mas, tratando-se de uma infecção viral respiratória altamente contagiosa que afeta o nariz, garganta e os pulmões. A causa são os vírus dos tipos A e B, que podem provocar desde sintomas mais leves até complicações graves, como pneumonia e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza de 2026 ocorreu entre 28 de março e 30 de maio, sendo que as coberturas de rotina de grupos prioritários alcançaram em torno de 50% a 60% durante o período da campanha (Fonte: GOV.BR). Vacinar-se é um ato individual com impacto coletivo, proteger a si mesmo é proteger quem não pode se vacinar.
Fonte: GOV.BR
“Vacinação também é proteção para quem convive com doenças crônicas”
“Vacinação também é proteção para quem convive com doenças crônicas”
Pacientes Oncológicos
Pacientes Oncológicos
Pacientes com câncer apresentam maior risco de desenvolver infecções graves, pois tanto a doença quanto seus tratamentos podem enfraquecer o sistema imunológico.
Por isso, a vacinação é uma das estratégias mais importantes de proteção. Ao prevenir infecções, ela também reduz o risco de internações e evita atrasos ou interrupções no tratamento oncológico.
O momento ideal para vacinar é antes do início do tratamento oncológico, quando o sistema imune responde melhor.
Durante o tratamento, vacinas inativadas continuam indicadas, mas vacinas vivas atenuadas devem ser evitadas, pois o organismo imunossuprimido pode não controlar a replicação do vírus vacinal.
As principais infecções preveníveis são gripe, COVID-19, pneumonias, herpes-zóster e suas complicações, coqueluche, difteria, tétano, hepatite B, infecções pelo HPV, sarampo, caxumba, rubéola e febre amarela.
A imunização adequada reduz o risco de infecções potencialmente graves, responsáveis por hospitalizações, interrupções do tratamento oncológico e aumento da mortalidade.
A recomendação é que o paciente mantenha o calendário vacinal atualizado, com todas as vacinas indicadas para sua idade e condição clínica específica.
Pacientes Cardiovasculares
Pacientes Cardiovasculares
A vacinação tem um papel muito importante no paciente cardiopata porque infecções podem desencadear eventos cardiovasculares agudos e descompensar doenças cardíacas pré-existentes. Ela deve ser considerada parte do tratamento cardiológico preventivo, ao lado do controle da pressão arterial, colesterol e diabetes.
As infecções podem levar a inflamação sistêmica, ativação de plaquetas, predisposição a trombose e aumento da demanda metabólica do coração. Como consequência, podem precipitar eventos cardiovasculares, como o infarto agudo do miocárdio, AVC, arritmias e descompensação da insuficiência cardíaca
Em pacientes cardiopatas, a imunização constitui uma importante estratégia de prevenção, contribuindo para a redução de eventos cardiovasculares, hospitalizações e mortalidade.
50+: a vacinação continua sendo essencial
50+: a vacinação continua sendo essencial
A vacinação é uma das medidas mais importantes para promover envelhecimento saudável, autonomia e qualidade de vida após os 50 anos. Muitas pessoas acreditam que vacina é algo apenas da infância, mas a proteção ao longo da vida é fundamental.
A partir dos 50 anos, o organismo passa por um processo natural chamado imunossenescência, o envelhecimento do sistema imunológico, que reduz a capacidade do corpo de responder adequadamente a infecções. Na prática, isso aumenta o risco de infecções mais graves, internações, perda de funcionalidade e até mortalidade, além de complicações como perda de massa muscular, piora da cognição, descompensação de doenças crônicas e maior risco cardiovascular.
Por isso, a vacinação não deve ser vista apenas como prevenção de doenças infecciosas, mas como uma estratégia de proteção da funcionalidade e da autonomia, para que a pessoa continue vivendo bem e com independência. Vacinas reduzem hospitalizações, diminuem o risco de complicações cardiovasculares associadas a infecções respiratórias e ajudam a preservar qualidade de vida e longevidade.
O envelhecimento do sistema imunológico começa antes dos 60 anos e se torna mais evidente após os 50. Com isso, o organismo passa a apresentar menor capacidade de combater vírus e bactérias, maior risco de infecções graves, resposta inflamatória mais intensa, redução da memória imunológica e menor resposta a algumas vacinas antigas, tornando os reforços importantes
Além da idade, muitas pessoas nessa faixa etária convivem com doenças crônicas como diabetes, hipertensão, obesidade e doenças pulmonares e cardiovasculares, que aumentam ainda mais o risco de complicações infecciosas.
Doenças como gripe, pneumonia, herpes-zóster, COVID-19 e infecções por pneumococo podem causar hospitalização, perda funcional prolongada e aumento do risco de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC. Um dado relevante é que após episódios de gripe ou COVID-19 há aumento transitório do risco cardiovascular, especialmente em pessoas mais velhas e com doenças crônicas, o que reforça que a vacinação também é uma forma de prevenção cardiovascular.
As vacinas recomendadas podem variar conforme idade, condições clínicas e histórico vacinal, mas algumas são consideradas fundamentais para adultos acima de 50 anos
A imunização do adulto precisa ser contínua e personalizada. Diferentemente da infância, muitos adultos não sabem que precisam de reforços e atualização vacinal ao longo da vida. Algumas vacinas exigem reforços periódicos, como influenza anual e reforços contra COVID-19, enquanto outras podem exigir esquemas específicos conforme idade, doenças associadas, viagens ou condição imunológica.
Por isso, recomenda-se que toda pessoa acima de 50 anos faça revisão periódica da carteira vacinal com seu médico ou em serviços de vacinação.
Vacinas em destaque
Vacinas em destaque
A vacina contra o HPV (Papilomavírus Humano) é uma importante ferramenta de prevenção oncológica, sendo eficaz contra cânceres de colo do útero, pênis e orofaringe, entre outros. O vírus HPV apresenta diversos subtipos, e a vacina disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) oferece proteção contra os quatro sorotipos de maior relevância clínica 6, 11, 16 e 18, que estão associados ao maior risco de desenvolvimento de neoplasias.
O esquema vacinal pelo SUS foi atualizado para dose única e está disponível para ambos os sexos a partir dos 9 anos de idade.
Na rede privada, está disponível a vacina nonavalente (9V), que amplia a cobertura para nove sorotipos do vírus, oferecendo proteção adicional contra cânceres de colo do útero, ovário, pênis e orofaringe. O esquema para a vacina 9V consiste em duas doses, com intervalo de seis meses entre elas, sendo indicada para meninas e meninos a partir dos 9 anos até os 18 anos de idade.
O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é transmitido por gotículas respiratórias e, em adultos, frequentemente se manifesta com sintomas leves, semelhantes aos de um resfriado comum. No entanto, em lactentes, o VSR é responsável por uma condição clínica de elevada gravidade: a bronquiolite, infecção que acomete as vias aéreas inferiores e pode evoluir para insuficiência respiratória e, em casos mais graves, para óbito.
Diante desse risco, a vacinação contra o VSR representa uma estratégia essencial de proteção para as populações mais vulneráveis. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina está disponível para gestantes, promovendo a transferência de anticorpos ao recém-nascido ainda no período intrauterino, conferindo proteção passiva nos primeiros meses de vida.
Na rede privada, a vacina também está disponível para a população idosa, grupo igualmente suscetível a formas graves da doença, especialmente aqueles com comorbidades respiratórias ou cardiovasculares.
O Herpes-Zóster é causado pela reativação do vírus Varicela-Zóster, o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção primária, o vírus permanece latente no sistema nervoso e pode se reativar depois, causando uma doença que acomete os nervos periféricos e se manifesta com dor intensa, formigamento e sensação de queimação, geralmente unilateral, seguida de lesões cutâneas características.
A vacina contra Herpes-Zóster é segura e eficaz, sendo indicada para pessoas a partir dos 50 anos de idade. Destaca-se que sua aplicação é segura inclusive em pacientes imunossuprimidos, ampliando sua indicação para populações de maior vulnerabilidade.
O vírus Influenza é o agente causador da gripe, doença respiratória que pode se manifestar desde quadros leves, como resfriado e síndrome gripal, até formas graves, com evolução para pneumonia e insuficiência respiratória. As populações de maior risco para complicações são crianças com doenças respiratórias de base e a população idosa, ambos os grupos com maior probabilidade de evolução desfavorável.
Por essa razão, a vacinação contra Influenza é especialmente recomendada para crianças a partir dos 6 meses até os 5 anos de idade e para idosos, grupos prioritários nas campanhas de imunização.
Observações importantes
* Mulheres gestantes possuem um calendário específico, com vacinas como dTpa e Influenza durante a gestação.
* Pessoas com esquema vacinal incompleto devem procurar uma unidade de saúde para atualização.
* O histórico vacinal individual pode alterar as recomendações de doses e reforços.
Fonte oficial do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e do Ministério da Saúde: Calendário Nacional de Vacinação.
Este material contou com a valiosa contribuição dos seguintes especialistas:
Dra. Nathalia Costa
Membro titular da Sociedade Brasileira de cardiologia (SBC). Mestre em Ciências da Saúde pela UFMG. Pós-graduada em Cardiooncologia e certificada pela Sociedade Internacional de Cardio-oncologia (ICOS).
Dr. Fabio Campos Leonel
Médico clínico geral, geriatra e paliativista. Presidente da SBGG-SP. Diretor do serviço de Clínica Médica do HSPE-IAMSPE. Coordenador do NADI-HCFMUSP.
Dra. Carla Lucato
Médica pela PUCSP Sorocaba.
Pediatra, Hebiatra e Mestre em Saúde Coletiva pela Santa Casa de São Paulo.
Confira os episódios do
Lado a Lado Cast com esses temas:
Confira os episódios do Lado a Lado Cast com esses temas:
Dr. Arnaldo Tanaka - Herpes-Zóster: Tem Cura? Tem Vacina?
Dra. Maisa Kairalla - Envelhecimento, Vacina E Saúde Da Pessoa Idosa
Dr. Eitan Berezin - Infecções preveníeis por vacina
Confira as orientações dos médicos que fazem parte do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida
Confira as orientações dos médicos que fazem parte do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida
Dr. Renato Kfouri - VSR em crianças e idosos: sintomas, cuidados e prevenção
Dr. Renato Kfouri - Vacina da Influenza: quem deve tomar e por quê?
Dra. Melissa Palmieri - Imunização para grupos prioritários
Dra. Silvia Bardella Marano - Saúde do Adolescente e as Vacinas
O Fórum Brasil Imune reúne anualmente no dia 9 de junho, data que marca o Dia Nacional da Imunização, especialistas, gestores da saúde pública e privada, sociedades de especialidades, conselhos de classe, Ministério da Saúde, indústria farmacêutica, imprensa, pacientes e organizações da sociedade civil para discutir e traçar caminhos para melhorar o acesso e a confiança da população no cenário da imunização no Brasil.
Em 2026, a edição tem como tema geral: "reconstruindo confiança, fortalecendo territórios"
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